A inclusão da pessoa com deficiência intelectual no mercado de trabalho é um dos programas prioritários da APAE Erechim. Na Escola Especial Branca de Neve, os estudantes começam desde cedo a exercitar sua autonomia, como fazer escolhas, tomar decisões, realizar tarefas pessoais do dia a dia sozinhos, e isso, para a Coordenadora pedagógica Leandra Kalles, já é o início do processo de inclusão no mercado de trabalho.
Dentro da Entidade há uma equipe multidisciplinar responsável pelo trabalho de inclusão, formada por Rosely Sponchiado, Psicóloga (CRP 07/04488); Maria de Lurdes Puerari (CRESS 7989); Alexandra Marques de Souza, Assistente Social e Leandra Kalles, Pedagoga. O estudante, com uma deficiência intelectual de leve à moderada, quando atinge 16 anos, idade considerada mínima para o ingresso no mercado de trabalho, começa a participar de grupos de capacitação, onde essa equipe de profissionais realiza um trabalho longo e minucioso com esses jovens e seus familiares.
A psicóloga explica que esse trabalho deve começar pela conscientização das famílias desses jovens, sobre a importância de uma atividade produtiva na vida dos mesmos. Já que são capazes de realizar atividades e, assim, obter mais independência, autonomia e cidadania. O objetivo deste trabalho é que as pessoas com deficiência mostrem sua capacidade produtiva, não sendo um mero número para o preenchimento de cotas nas empresas.
O trabalho de grupo com as famílias e os jovens pode durar até um ano. Nos grupos os alunos são elucidados, pela psicóloga, a respeito de como funciona o mercado de trabalho e os jovens que já estão trabalhando contam como é o cotidiano deles, fazem até dramatizações, o que auxilia na hora de lidar com situações mais difíceis na vida real.
Quando um estudante consegue ter sucesso na realização de suas tarefas de trabalhador, a equipe percebe que a maior das mudanças nele é a elevação de sua autoestima. Isso é perceptível quando se conversa com um deles. Marcelo Martins, de 25 anos, está incluído no mercado de trabalho há dois anos, como repositor em uma loja de calçados. Ele conta feliz que irá tirar férias em janeiro e que nunca achou que não fosse conseguir trabalhar, sempre soube que era capaz. Também comenta que sempre teve o apoio da família e quando perguntado se recebe ajuda dos colegas de trabalho, explica que no início sim, mas agora “sei tudo, já”, comenta ele, sorrindo.
O trabalho frente às empresas também é muito importante, já que o objetivo é que esses alunos realmente sejam úteis dentro das empresas, não são apenas para preencher cotas. Antes da inserção do jovem na empresa, é indispensável que as pessoas que estarão próximas a ele no setor, estejam preparadas para recebê-lo e auxiliá-lo. A empresa deve designar um funcionário como “padrinho” desse incluído, alguém que vai dar um suporte para ele, ajudá-lo, etc.
A escola faz o acompanhamento do incluído, fazendo visitas periódicas à empresa para conversar com as chefias, eventualmente chamando-os para participar de grupo com a família, apara avaliar o desenvolvimento desse aluno na empresa.
A inclusão do deficiente intelectual no mercado de trabalho é visto além da lei, é percebido como uma necessidade para o desenvolvimento jovem, é uma questão de cidadania.
* Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/midia_tmp/600--educacao070717.jpg
** Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhPr35SJTEA04JwhZSkyeuMZP8DFwgaJbkJqU8QcFiJfQRezyMYwvHGxCd_-hQJJL2gW7drSDAjUDd09C3PPRYVx2eonDVif89-l5SP6efmI4kWrmvak-Gh5LmoSskHCr86xlrxiizu7JY/s400/inovacao.jpg
*** Fonte: http://turismoadaptado.files.wordpress.com/2011/07/carteira-de-trabalho.jpg



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